Ando esquisito. Não exatamente mal, mas preguiçoso, dispersivo, desatento. Ou atento a coisas tão remotas que é como se não estivesse completamente aqui. Nem lá.
-(Caio Fernando Abreu)

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Então morrer é isso? Você passa a infância e adolescência ouvindo que se você quiser ser alguém na vida vai precisar “meter a cara” nos livros. Estudar muito, muito mesmo! Então mesmo que você não goste, passa mais de 10 (dez), anos frequentando escolas. Passa madrugadas em claro estudando para conseguir uma vaga em uma Universidade, que talvez seja em outro estado, e mesmo sabendo que você talvez seja obrigado a sair do conforto da sua casa, do “colo” dos seus pais, você segue em frente e consegue a tão desejada vaga. Você entra na universidade e passa a estudar dez vezes mais. Tendo raríssimos dias de “farra”, e quando chega o dia, você simplesmente morre. Você vai a uma boate para se divertir, encontrar amigos e morre. Você passa a semana estudando pra caramba e no final de semana morre. Você passa anos estudando pra caramba e quando está faltando pouco pra você alcançar seu objetivo, você morre! Deixando de vez o conforto da sua casa e o “colo” dos seus pais.

Você finalmente encontra o grande amor da sua vida, se casa, faz planos de ter filhos e tem. Você cria, cuida, educa e ama essa criança com a ajuda do seu marido. Você planeja toda a vida dela, mesmo sabendo que quando ela crescer pode não concordar. Você planeja envelhecer ao lado do seu marido. E em uma saída em família ao circo você simplesmente perde os dois e ainda sai de lá com 90% do corpo queimado. Isso porque um ex-funcionário decidiu acabar com a vida do dono do circo colocando fogo no local, mas acabou acabando com a sua também quando matou seu filho e seu marido, acabou com muitas outras vidas. Parte de você morreu ali.

Seus pais ficam anos e anos planejando ter você e depois de muitas tentativas, depois de muito amor, eles conseguem. Você nem pediu pra vim ao mundo, mas vem mesmo assim, para tornar-se a alegria da casa, para por um sorriso no rosto dos seus pais, pra mostrar á ele que todo o esforço valeu a pena. Você fica Nove (nove), meses dentro da barriga da sua mãe, e finalmente nasce. Você recebe alta do hospital e vai pra casa com seus pais que estão mais felizes do que nunca. Você tem tudo o que uma criança da sua idade precisa: conforto, brinquedos, amor, atenção… E em uma saída de carro com a sua mãe você leva um tiro no peito e morre. Como assim morre? E todos os anos que seus pais ficaram planejando ter você?

Você faz uma curta viagem de carro com a sua família em um feriado. Você passa dias maravilhosos ao lado das pessoas que você ama. Se sente bem, feliz, realizados ao lado das pessoas mais importantes da sua vida. Mas na volta pra casa um caminhão acaba parando encima do seu carro, detonando o carro por completo, matando todos.

Você está feliz dentro do carro com a sua mãe, ambos usam cinto de segurança. Quando do nada delinquente resolvem roubar o carro da sua mãe. Sem dar tempo de ela te tirar por completo do carro. Eles te arrastão por quarteirões, deixando seu sangue pelo caminho, e a cada gota de sangue seu, 100 gotas de lágrimas da sua mãe.

Você não mata, mas te matam. Você não rouba, mas roubam a sua vida, e nem te dão chances de lutar contra isso. Quando criança você vive dizendo que vai morrer com 200 anos, mas morre com 20. Você está bem, não fuma, não ingere bebida alcoólica, está com os exames em dia, mas um morre porque um carinha gostou do seu celular e resolveu te dar um tiro. Você sai pra se divertir e não volta mais. Você está dentro do seu carro, voltando pra casa de uma viagem ou de um dia cansativo de trabalho, quando vem um carro guiado por uma pessoa que ingeriu bebida alcoólica, por uma pessoa que tem noção que beber e dirigir é crime, que beber e dirigir mata, mas mesmo assim ela faz isso e tira a sua vida. Você perde o seu filho sem ter a chance de ver os dentes dele caindo e nascendo de novo, sem ter o orgulho de ver ele se formando e realizando seus sonhos. Você o leva pra se divertir e tiram a vida dele. Você ensina á ele que ele precisa estudar, e ele morre estudando. Você fica em casa pensando que o seu filho está bem, quando recebe uma ligação dizendo que um maluco entrou na escola dele e saiu atirando nos alunos, e que o seu filho foi uma das vítimas, que o seu filho morreu. Morrer deveria ser algo natural, não é? Às vezes acho que morrer é uma daquelas piadas sem graça, contada em uma hora inapropriada.

-Milhares de pessoas morrem injustamente todos os dias, esses são apenas alguns casos… Escritora de Boteco.  (via escritoradeboteco)

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meus medos em ordem cronológica, então: medo de ficar sozinho, medo de escuro, medo de socializar, medo de que abram a porta do banheiro, medo de que me vejam, medo de beijar, medo de tirar a camiseta, medo de acender a luz, medo de apanhar, medo de levantar a voz, medo de mantê-la baixa (adolescência tem dessas contradições), medo de envelhecer, medo acadêmico, medo trabalhista, medo filosófico, medo do medo, medo de escrever bobagens, medo de escrever, medo na rua, medo em casa, medo nas festinhas de famílias, medo nas baladas, medo da bebida malhada, medo dos sintomas, medo do pavoroso fato: a vida é medo, pois bem, pavoroso, pois bem, esta tristeza agonizante que não me deixa fazer nada, nada.
- J.Castro (via 1milhogrande)

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Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali.
-Charles Bukowski. (via decifro)

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Dou colo para quem precisa, dou a mão para os amigos, seguro a onda de quem eu amo. E quem segura a minha? Olho para os lados, para baixo, para o alto (talvez procurando um sinal) e encontro o quê? Nada. Ninguém, a não ser aquele desconforto de saber que no final das contas nós temos somente nós mesmos.
-Clarissa Corrêa  (via capitule)

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